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8 de junho de 2013

Ir ao cinema significa...

Em seus primórdios, o cinema foi considerado uma arte elitista e de alto valor cultural, pois pequena parcela da população frequentava assiduamente as salas para comtemplar a arte, já que seu custo era, muitas vezes, elevado, o que fazia com que quase que somente a alta classe pudesse usufruir das belas artes. Muitos admiravam o cinema pela bela criação, pelo bom roteiro e pela excelente fotografia, além de não esquecer, é claro, da inovação e curiosidade que este novo tipo de comunicação trazia consigo.

Com o passar dos anos, o cinema tornou-se mais popular e o acesso mais frequente fez com que as pessoas ficassem mais íntimas da arte, escolhendo, opinando, admirando ou até mesmo criticando o que se passava. Isso fez com que o ato de “ir ao cinema” mudasse seu foco e seus objetivos, como mostra uma pesquisa feita pela Agência Expressio Motus.

Através de uma enquete, entrevistamos seis pessoas frequentadoras assíduas de cinema. Três delas tem entre 40 e 55 anos, as outras três de 18 à 30 anos. Por meio de perguntas diretas, analisamos o que significa para estas pessoas, estar em frente à uma tela cinematográfica, assistir à um filme e qual a principal sensação ao realizar tal ato.

Um dos adultos, o empresário Ari Bonani (44), relata que a experiência de estar assistindo à um filme e prestar atenção em seus detalhes, cores e jogos de edição é o que deixa gratificante apreciar a trama. “Gosto de observar tudo, principalmente em filmes de drama e montagens realistas. As expressões dos atores, os olhares e a maneira com que o diretor deixou aquilo parecer real”, diz e, além disso, ressalva que a melhor maneira que ele conhece para estudar, se informar e aprender, é assistindo à filmes que absorvam conteúdo à sua bagagem. “Preciso saber mais sobre o sistema econômico do Brasil? Assisto à filmes. Muito melhor do que ler uma enciclopédia”. Contrariamente à ele, a arquiteta Alana Zamban destaca que assistir à um filme passa a ser um momento de relaxamento e entretenimento. “Assisto para relaxar, de preferencia algo descontraído e engraçado, nada que me deixe cada vez mais cheia de perguntas na cabeça”, diz.

Os outros entrevistados deram suas contribuições e o resultado constatado foi que os novos jovens estão cada vez mais assistindo à filmes para seu entretenimento, enquanto os adultos (levando em conta que todos tem uma cultura cinematográfica aguçada) assistem para sua interação no mundo social e da informação, também para divertimento, mas em grande maioria, para o aumento de sua bagagem cultural.

O cinema de massa, hoje, está cada vez mais voltado para o entretenimento, modelo esse que a população tem mais acesso, sendo que muitos filmes utilizáveis em salas de aula, estudos e discussões, não fazem parte da coleção da maioria das pessoas. O questionamento lançado é: o que significa ir ao cinema em sua visão? Porque você assiste à filmes?

E, afinal, o cinema passou de uma arte de encanto e busca de informações para um mero momento de descontração? 

Produção: Expressio Motus Produções
Texto: Rafaela Bez
Edição: Leticia Duarte
Imagens: Divulgação

22 de maio de 2013

Das belas artes ao sistema econômico: o consumo e o capitalismo no cinema


Atualmente, o modelo de economia dominante é o capitalismo, que surgiu no século XIX denominado como liberalismo. Esses modelos econômicos visam o lucro, a obtenção da propriedade privada e dos meios de produção e, segundo Karl Marx, a divisão de classes. Atrelado a este sistema está o consumo, maneira pela qual o ser humano disfruta de suas necessidades, sendo elas básicas ou desejáveis.

Guevara e seu irmão Raul, na guerrilha
No cinema, o capitalismo e o consumo são muito discutidos, seja como modo de crítica ou como produto mercadológico, que induz ao consumismo e a obtenção de produtos.

O filme Margin Call – O Dia Antes do Fim (2011), de J. C. Chandor, retrata o capitalismo partindo do princípio da crítica e reflexão sobre os problemas causados pelo modelo econômico. A trama se inicia com a demissão em massa em um banco de investimentos, focando no chefe responsável pela gestão de riscos, Eric Dale (Stanley Tucci), que se preocupa com um estudo que planejou sobre as ações irregulares da empresa. As análises são repassadas para o jovem Peter Sullivan (Zachary Quinton), engenheiro especialista em propulsão, mas que atua no mercado financeiro. O filme busca retratar, por meio da ficção, momentos críticos pelos quais passaram as instituições financeiras norte-americanas durante a crise de 2008.




O economista, integrante do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) e membro do corpo docente da Universidade Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), Gilberto Faggion ressalta a maneira na qual o capitalismo e o consumo são retratados no cinema. “Em filmes que o capitalismo e o consumo são abordados de maneira crítica, podemos analisar os aspectos técnicos do mesmo. Em filmes como Margin Call (J. C. Chandor – 2011) e Inside Job (Charles Ferguson – 2010), as decisões e debates feitos sobre o tema, geralmente são feitos em ambientes escuros, tenebrosos e sombrios, que de maneira objetivada ou não induz à ideia de que a ação retrata o momento em que o atual modelo vive: de crise e decadência”, diz.

O capitalismo também pode ser abordado de maneira contrária, ou seja, pode ser representado pelo lado oposto, como as lutas sociais por igualdade e justiça e mostrando sistemas econômicos contrários como o comunismo e o socialismo. Um filme que representa esta maneira de abordagem é o filme Che (2008), do diretor Steven Soderbergh, que conta a história de um jovem médico, Ernesto "Che" Guevara (Benicio Del Toro), e seu irmão Raul (Rodrigo Santoro). Guevara era argentino e tinha como objetivo ajudar a derrubar o governo ditador de Fulgêncio Batista em Cuba. Ele se integrou à guerrilha, participando da luta armada pela igualdade e justiça entre os povos.





Sociólogo graduado pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), Jonas Jorge da Silva lembra a maneira como os espectadores absorvem o tema capitalismo e consumo nos filmes e em outras abordagens midiáticas. “A concepção do ser humano através desse tipo de tema é redundante. Da mesma maneira que ele absorve a crítica e define que o consumo exacerbado o prejudica, ele também absorve a indução de produtos retratados pelo cinema, consumindo-os, muitas vezes”. De acordo com a análise social de Silva, o espectador pode adquirir consigo tanto a crítica como a persuasão do tema.

Produção: Expressio Motus Produções
Texto: Rafaela Bez
Edição: Rodolfo Kovalski
Imagens: Divulgação

14 de março de 2013

Análise e entrevista: a representação da juventude no cinema hollywoodiano

"Imagine um jovem. Um jovem brasileiro, estudante, totalmente integrado com as novidades culturais, sempre acompanhado de muitos amigos, principal mediador de novas crenças e hábitos dentro de seu grupo familiar, uma pessoa que olha para o mundo em que vive de um jeito crítico e provocador. A grande maioria de nós, certamente, consegue construir esta imagem com muita facilidade, já que é assim, de certa forma, que concebemos a juventude. É fácil, é familiar, porque todos já fomos jovens um dia, se ainda não o somos. Agora, experimente contextualizar este mesmo jovem em momentos diferentes, nos anos 1970, nos anos 1980, nos anos 2000. Será que podemos falar de uma juventude? Mais ainda: é possível atribuir a estas juventudes o mesmo valor simbólico? Para compreender a juventude, é preciso que ela seja contextualizada e textualizada." 
(PEREIRA; ROCHA; PEREIRA, 2009, p. 5).

Segundo sociólogos, atualmente o mundo vive grandes mudanças e transformações, principalmente em âmbito social, mercadológico e educacional. A miscigenação de culturas não é mais oculta como nos anos 50. Vivemos hoje a "Era das Juventudes”, de diferentes classes sociais e econômicas, crenças culturais e personalidades.


Cena do filme "Aos Treze", após uma das protagonistas usar drogas (Crack) 
Mas, afinal, como o cinema retrata a vida e o cotidiano da juventude? Tomemos como exemplo alguns filmes clássicos norte-americanos.
O filme "Juventude Transviada" (Nicholas Ray, 1955) mostra a história de um jovem norte-americano que toma rumos errados na vida e por consequência, seus pais o acobertam mudando de cidade a cada ação inadequada do rapaz. Além disso há também um romance na trama.

Já nos anos 2000 temos o clássico "Aos treze" (Catherine Hardwicke, 2003), que conta a vida de uma garota de 13 anos que sofre grande crise, abordando temas intensos como relações sexuais entre adolescentes, o uso de substâncias ilícitas, infrações, agressões e automutilação.

Atualmente temos o filme Projeto X (Nima Nourizadeh, 2012) que mostra três alunos do último ano do colegial tentando deixar o anonimato. A festa que eles fazem com o intuito de comemorar o aniversário de Thomas, acaba tomando proporções extremas e se torna a melhor festa do ano. 

Os filmes citados mostram uma juventude padronizada, importada de um modelo da indústria cultural: busca da independência, da libido e de atitudes inconsequentes.
James Dean, o ator era considerado um ícone cultural  

A Expressio Motus Produções entrevistou ao cineasta e supervisor do curso de cinema do Centro Europeu, Fernando Severo, aonde ele cita os moldes e padrões que a juventude é representada no cinema, principalmente o hollywoodiano.

Expressio Motus: Como a juventude geralmente é retratada no cinema? Os estereótipos envolvendo uma determinada cultura juvenil são frequentes?

Fernando Severo: Com raras exceções, o cinema trabalha há décadas com estereótipos sobre o conceito de juventude, atualizando a temática de acordo com as tendências comportamentais de cada época. Conflitos geracionais, angústias existenciais, confusões amorosas e o espírito aventureiro juvenil recebem novas roupagens mas na essência são representados da mesma maneira.

E. M: A juventude "copia" seus astros e estrelas cinematográficos?

Fernando: Esse é um período de afirmação perante a sociedade e desejo de diferenciação em relação às gerações anteriores, por isso ídolos representativos desses comportamentos tendem a ser idolatrados.


E. M: Para a maioria do cinema, existe um "padrão" de juventude? Qual é esse padrão?


Fernando: O padrão de representação da juventude mais comum no cinema une inexperiência, irresponsabilidade, inquietação e inconformismo.



Cena do filme "Projeto X", este foi o primeiro filme de longa-metragem do diretor Nima Nourizadeh

Produção: Expressio Motus Produções
Texto: Rafaela Bez
Edição: Leticia Duarte
Imagens: Reprodução

28 de fevereiro de 2013

Expressio Motus?


Em livre tradução do latim para o português, Expressio Motus significa: Expressão do Movimento. É esta expressão e movimento que queremos passar por meio de nossos produtos e informações.

Nascemos com o objetivo de retratar situações cotidianas, mas com reflexões vistas por outro olhar. Mostrar expressões do dia a dia, que podem passar despercebidos aos nossos olhares.

Com o foco de retratar o dia-a-dia tumultuado da sociedade moderna, principalmente “crises” e situações cotidianas que transpassam nossas mentes e somente nós (ou nem nós mesmos) conseguimos entende-las.

Nossa Agência apresentará temas intrigantes, informações conceituadas e diversas dicas culturais, sociais e existenciais.

Inspirados em filmes como Medianeras (Gustavo Taretto) e Tiny Furniture (Lena Dunham), faz parte de nossa proposta mostrar a realidade oculta de uma mente moderna, com uma visão realista, e longe de qualquer estereótipo.